domingo, novembro 30, 2003



É tão urgente quanto necessário
que me mordas o lábio de raiva.


Os The Stills são mais uma banda da fornada de bandas como os Yeah Yeah Yeahs, The Walkmen e essencialmente os Interpol. O disco de estreia é de 2003 e chama-se "Logic Will Break Your Heart". As influências são claras: The Smiths, The Cure, Joy Division e bandas do mesmo género. Formados em 2000 em Montreal, no Canada, por Tim Fletcher, Dave Hamelin, Greg Paquet e OIiver Crow, lançaram um EP, também em 2003, entitulado "Rememberese". Atenção especial para as faixas "Lola Stars and Stripes", "Gender Bombs" e "Animals and Insects".


Amor que morre

O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!

Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...

Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos pra partir.

E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir!

Florbela Espanca


Isto

Dizem que finjo ou minto
Tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

Fernando Pessoa
Sons de hoje

Chokebore - It's A Miracle
Minus The Bear - Highly Refined Pirates
The Stills - Logic Will Break Your Heart
Sparta - Wiretap Scars
Sebadoh - Harmacy
The Kills - Keep on Your Mean Side
The Exploding Hearts - Guitar Romantic
Explosions in the Sky - Those Who Tell the Truth Shall Die, Those Who Tell the Truth Shall Live Forever
Nagisa Ni Te - Feel
Frog Eyes - The Golden River
Interpol - Turn on the Bright Lights
Post de índole demasiado pessoal



Não adoram quando estão prestes a ir dormir e de repente começa a chover lá fora? Aconteceu-me agora isso. Acho que já posso ir para a cama. Nem dei pelo fim de mais outro dia.

sábado, novembro 29, 2003



Sucumbo à dor para não ter de sangrar. Tenho as veias cheias de ti.


Mudança de estação

Para te manteres vivo -- todas as manhãs
Arrumas a casa sacodes tapetes limpas o pó e
O mesmo fazes com a alma -- puxas-lhe o brilho
Regas o coração e o grande feto verde-granulado

Deixas o verão deslizar de mansinho
Para o cobre luminoso do outono e
Às primeiras chuvadas recomeças a escrever
como se em ti fertilizasses uma terra generosa
Cansada de pousio -- uma terra
Necessitada de águas de sons de afectos para
Intensificar o esplendor do teu firmamento

Passa um bando de andorinhões rente à janela
Sobrevoam o rosto que surge do mar -- crepúsculo
Donde se soltaram as abelhas incompreensíveis
Da memória

Luzeiros marinhos sobre a pele -- peixes
Que se enforcam com a corda de noctilucos
Estendida nesta mudança de estação

Al Berto
Stowaways e Alla Polacca. Bar Registus. Matosinhos. 28 de Novembro de 2003.

Ontem fui assistir ao concerto de apresentação do disco "Why Not You?". Um cd duplo que é dividido pelos Stowaways e Alla Polacca. O concerto começou com uma hora de atraso e com a actuação dos Stowaways. Guitarra acústica e voz, baixo, bateria, guitarra e teclas. Foi feita a homenagem aos Radiohead. Thom Yorke pareceu estar presente no inicio ao fim. Esperava mais dos autores de uma música swingante e viciante como é "Amputated Leg". Os Alla Polacca iniciaram o concerto com um instrumental de alguns minutos. Belo, intenso, ambiental. Apresentaram cerca de 7 músicas durante uns 30 minutos de concerto. Músicas longas apoiadas essencialmente na parte instrumental. Fiquei curioso em ouvir Alla Polacca em disco.
Sons de um dia Jazz

Dave Douglas - Witness
Charles Mingus - The Black Saint And The Sinner Lady
John Coltrane - Giant Steps
Herbie Hancock - Maiden Voyage
Ornette Coleman - The Shape of Jazz To Come
Albert Ayler - Spiritual Unity
Dave Holland Quartet - Conference of the Birds
Sonny Sharrock - Black Woman
John Coltrane - Meditations
Sonny Sharrock - Highlife
Ellery Eskelin - Andrea Parkins - Jim Black - Arcanum Moderne

sexta-feira, novembro 28, 2003

Sons de um dia cheio

Gang of Four - Entertainment!
New Order - Power, Corruption & Lies
Led Zeppelin - Physical Graffiti
Morphine - Like Swimming
Queens of The Stone Age - Queens of The Stone Age
Radiohead - Ok Computer
Explosions In The Sky - The Earth Is Not A Cold Dead Place


Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, novembro 27, 2003



A música do dia chama-se Dutch Oven e pertence aos Young People. O album chama-se "War Prayers"


Os matt pond PA são um quinteto formado em 1998 em Filadélfia e liderado por Matt Pond. Editaram em 2000 o album de estreia, Measure, e em 2002 os albuns "The Green Fury" e "The Nature of Maps". A música dos Matt Pond PA é aquilo que costuma ser apelidado de Chamber Pop. Canções acústicas acompanhadas quase sempre por uma secção de cordas. Violinos, violoncelos, flautas, baixo e bateria ajudam na festa pop. Os pontos altos de Measure são os temas "Measure 1", "Green Grass" e "Competition". O allmusicguide descreve os Matt Pond PA como sendo uma "versão acústica dos Cure". Não sei se é verdade, mas sei que é um bom disco.


Os sonhos são a loucura dos pobres. E tão depressa o sonho se transforma em pesadelo como o rico em pobre.
Jacinta no Porto e em Lisboa



A 1 de Dezembro, a cantora portuguesa vai passar pelo Teatro Municipal Rivoli, no Porto, actuando, no dia seguinte, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

in Cotonete


Entre o sono e o sonho

Entre o sono e o sonho,
Entre mim e o que em mim me suponho,
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.

Fernando Pessoa
Mafalda Arnauth apresenta Encantamento ao vivo



A cantora Mafalda Arnauth vai apresentar ao vivo o seu novo álbum intitulado Encantamento. Os espectáculos estão agendados para o dia 30 de Novembro, no Teatro Rivoli, no Porto, e nos dias 4 e 5 de Dezembro, no Teatro S. Luiz, em Lisboa.

in DiscoDigital
Sons de um dia solarengo

Nina Simone - The Other Woman
Nick Cave & the Bad Seeds - Murder Ballads
Madlib - Shades of Blue
Brian Eno - Another Green World
Aarktica - Pure Ton Audiometry
Robert Wyatt - Rock Bottom
Kimmo Pohjonen - Kielo
Plaid - Spokes
John Fahey - Voice Of The Turtle
Matt Pond PA - Measure
Young People - War Prayers
Talvin Singh - Ha
H.I.M. - New Features
Fairport Convention - Red & Gold

Nina Simone

After You've Gone

Now listen honey while i say
How can you fix your mind to say you're going away?

Don't say that we must part
Don't break my aching heart
You know you love me
Through for many years
Love me night and day
Can't you see my tears?
How can you leave me?
Listen while i say

After you've gone and left me crying,
After you've gone there's no denying,
You'll feel blue, you'll feel sad,
You'll miss the dearest pal you ever had.
There'll come a time, don't you forget it,
There'll come a time when you'll regret it.

Some day when you grow lonely,
Your heart will break like mine and you'll want me only,
After you've gone, after you've gone away

After you've gone and left me crying,
After you've gone there's no denying,
You'll feel blue, you'll feel sad,
You'll miss the dearest pal you ever had.
There'll come a time, don't you forget it,
There'll come a time when you'll regret it.

Some day when you grow lonely,
Your heart will break like mine and you'll want me only,
After you've gone, after you've gone away
Oh yeah
After you've gone, after you've gone away

quarta-feira, novembro 26, 2003


Eugénio de Andrade

Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.


Vestígios

Noutros tempos
Quando acreditávamos na existência da lua
Foi-nos possível escrever poemas e
Envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído
Pelas salivas proibidas - noutros tempos
Os dias corriam com a água e limpavam
Os líquenes das imundas máscaras

Hoje
Nenhuma palavra pode ser escrita
Nenhuma sílaba permanece na aridez das pedras
Ou se expande pelo corpo estendido
No quarto do zinabre e do álcool - pernoita-se

Onde se pode - num vocabulário reduzido e
Obcessivo - até que o relâmpago fulmine a língua
E nada mais se consiga ouvir

Apesar de tudo
Continuamos e repetir os gestos e a beber
A serenidade da seiva - vamos pela febre
Dos cedros acima - até que tocamos o místico
Arbusto estelar
E
O mistério da luz fustiga-nos os olhos
Numa euforia torrencial

Al Berto


Os Japancakes são constituidos por uma dúzia de instrumentalistas. São uma espécie de orquestra Pop. O album de estreia, If I Could See Dallas, que data de 1999, apresenta 11 faixas instrumentais. Estas 11 faixas consistem, na maior parte das vezes, na repetição de melodias e texturas densas, suaves. E o sonho passou, de repente, a acontecer mesmo sem ser preciso dormir.
A Pitchforkmedia resolveu fazer uma lista dos 100 melhores albuns da década de 90. Vocês sabem como o facto de se ser melómano anda de braço dado com a loucura das listas; listas de albuns do ano, albuns do semestre, filmes, enfim ... tudo o que possa ser listado. Os primeiros 10 lugares são estes que se mostram aqui em baixo; para ver o resto, clicar aqui .

10: Guided by Voices - Bee Thousand
09: Bonnie "Prince" Billy - I See a Darkness
08: Pavement - Crooked Rain, Crooked Rain
07: DJ Shadow - ...Endtroducing
06: Nirvana - Nevermind
05: Pavement - Slanted & Enchanted
04: Neutral Milk Hotel - In the Aeroplane Over the Sea
03: The Flaming Lips - The Soft Bulletin
02: My Bloody Valentine - Loveless
01: Radiohead - OK Computer
Sons de um dia chuvoso

Interpol - Turn on the Bright Lights
Talk Talk - It's My Life
Gillian Welch - Soul Journey
Japancakes - If I Could See Dallas
Julie Doiron - Loneliest in the morning
Califone - Deceleration Two
Bardo Pond - On The Ellipse
Nick Drake - Bryter Layter
Neil Young & Crazy Horse - Tonight's the Night
Mouse On Mars - Glam
Nina Simone - The Other Woman
David Sylvian - Gone to Earth

terça-feira, novembro 25, 2003



Vermeer, View of Delft, 1660/61
Por aqui:



The car's on fire and there's no driver at the wheel
And the sewers are all muddied with a thousand lonely suicides
And a dark wind blows
The government is corrupt
And we're on so many drugs
With the radio on and the curtains drawn

We're trapped in the belly of this horrible machine
And the machine is bleeding to death

The sun has fallen down
And the billboards are all leering
And the flags are all dead at the top of their poles

It went like this:

The buildings tumbled in on themselves
Mothers clutching babies picked through the rubble
And pulled out their hair

The skyline was beautiful on fire
All twisted metal stretching upwards
Everything washed in a thin orange haze

I said: "kiss me, you're beautiful -
These are truly the last days"

You grabbed my hand and we fell into it
Like a daydream or a fever

We woke up one morning and fell a little further down -
For sure it's the valley of death

I open up my wallet
And it's full of blood

Ryan Adams - Heartbreaker

Come Pick Me Up

When they call your name
Will you walk right up
With a smile on your face
Or will you cower in fear
In your favorite sweater

With an old love letter
I wish you would

I wish you would
Come pick me up
Take me out
Fuck me up
Steal my records
Screw all my friends
They're all full of shit
With a smile on your face
And then do it again

I wish you would
When you're walking downtown
Do you wish I was there
Do you wish it was me
With the windows clear and the mannequins eyes

Do they all look like mine
You know you could
I wish you would
Come pick me up
Take me out
Fuck me up
Steal my records
Screw all my friends behind my back
With a smile on your face
And then do it again

I wish you would
I wish you'd make up my bed
So I could make up my mind
Try it for sleeping instead
Maybe you'll rest sometime
I wish I could
Canção do dia



É dos franceses Cyann & Ben e chama-se I Can't Pretend Anymore.
Mais sugestões para sexta-feira próxima



Os portugueses Stowaways e Alla Polacca vão apresentar o disco "Why Not You?" no bar Registus, em Matosinhos. Os Berlinenses Rechenzentrum ( na foto ) vão actuar no Aniki Bóbó, no Porto.


O finlândês Kimmo Pohjonen actua já esta sexta feira no festival musical Sons em Trânsito, em Aveiro. Os bilhetes para o concerto daquele que muitos consideram o maior acordeonista do mundo, custam 10€.
Há músicas que nos descrevem locais místicos, estados de alma quase perfeitos. E depois há letras tão simples que é impossível não nos identificarmos com elas do inicio ao fim. E hoje o sol marcou presença, apesar do frio. Em 1969, falava-se assim:


Led Zeppelin

Thank You

If the sun refused to shine, I would still be loving you.
When mountains crumble to the sea, there will still be you and me.

Kind woman, I give you my all, Kind woman, nothing more.

Little drops of rain whisper of the pain, tears of loves lost in the days gone by.
My love is strong, with you there is no wrong,
together we shall go until we die. My, my, my.
An inspiration is what you are to me, inspiration, look... see.

And so today, my world it smiles, your hand in mine, we walk the miles,
Thanks to you it will be done, for you to me are the only one.
Happiness, no more be sad, happiness....I'm glad.
If the sun refused to shine, I would still be loving you.
When mountains crumble to the sea, there will still be you and me.
Dizem que a paixão o conheceu

Dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice

Conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo

Dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nunhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos

Al Berto
Sons de hoje

Interpol - Turn on the Bright Lights
Deftones - Deftones
Tomahawk - Mit Gas
Iran - The Moon Boys
Ex Models - Other Mathematics
The Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-la-la Band - This Is Our Punk-Rock, Thee Rusted Satellites Gather + Sing
Cyann & Ben - Spring
Azure Ray - Hold On Love
Skating Club - Skating Club
Ryan Adams - Heartbreaker
Asa-Chang & Junray - Tsu Gi Ne Pu
Godspeed You Black Emperor! - F#A# Infinity
Mark Lanegan - I'll Take Care of You
Mogwai - Young Team
John Fahey - The Transfiguration Of Blind Joe Death
Explosions In The Sky - Those Who Tell the Truth Shall Die, Those Who Tell the Truth Shall Live Forever
Liars. 24 de Novembro de 2003. Teatro Sá da Bandeira



A noite estava a correr como estava prevista; encontrei por acaso o meu professor de Sociologia da Informação, cruzei-me com o Manuel Monteiro quando ia a subir as escadas do estacionamento subterrâneo e um amigo pisou um preservativo ( sim, no Teatro Sá da Bandeira ). Até aqui tudo normal. Depois veio o concerto dos Liars. Mas muito antes veio o concerto dos X-Wife. Já os tinha visto em Paredes de Coura e não tinha ficado muito satisfeito com a actuação de João Vieira e os seus dois companheiros. Como alguém disse, "Se apenas eles tivessem aparecido há 20 anos atrás". E falava com razão. Nas primeiras 3/4 músicas, tudo soa bastante bem. Mas depois a fórmula é repetida ao máximo e a música torna-se algo incipiente. Passados pouco mais de 30 minutos e 6/7 músicas desde que tinha entrado, os X-Wife sairam do palco e, após um pequeno intervalo, deram lugar aos Liars; ou ao que resta deles. Os Liars tinham prometido mudanças, novos caminhos e acima de tudo músicas novas, do próximo album. "Ameaçaram" mesmo não tocar nenhuma faixa do registo de estreia, "They Threw Us All in a Trench and Stuck a Monument On Top". E cumpriram. Nos escassos 35/40 minutos de concerto apresentaram somente 7/8 faixas do disco a editar em 2004, já entitulado "They Were Wrong, So We Drowned". "Terrorismo sónico" diziam alguns. "Suicídio comercial" exclamavam outros. "Coragem", pensava eu. O baterista vestia apenas umas cuecas, meias brancas até aos joelhos e uma camisola (?), ou o que restava dela, cor de rosa, que deixava os mamilos de fora. O vocalista vestia-se de preto, com uma casaca cor de rosa que depressa despiu; abanava-se pelo palco, dizia coisas que ninguém percebia, cospia, arrumava o cabelo da frente dos olhos e dizia constantemente que o Porto era a cidade mais bonita que alguma vez tinha visto. O guitarrista quase parecia uma pessoa normal. As novas músicas quase não têm guitarra, e muito menos baixo. Não obedecem quase a uma estrutura. Riffs repetitivos e simples, secção ritmica galopante e acelerada e partes de puro noise rock. A maior parte das pessoas pareciam assustadas, e incrédulas. A única palavra que me ocorria era "Fabuloso". Procurei dançar ou mexer-me mas não sabia muito bem como; não parecia conseguir encontrar ritmo, tal era a confusão provocada pelas músicas novas. Os temas novos prometem e vai ser curioso saber como vai ser feita a transposição para disco. A banda saíu do palco e voltou para um único encore em que foi apresentada apenas mais uma música; e uma das melhores da noite. Um dos grandes concertos do ano. Pena ter sido tão curto, mas valeu muito a pena.

segunda-feira, novembro 24, 2003


Rufus Wainwright - Rufus Wainwright

Barcelona

The summer sun sets a vicious circus
when shadows held the world in place
But today I felt a chill in my apartment's
coolest place
"Fuggi Regal Fantasima"
The village larks cannot be heard
'cause all the crows got panderers
I can't escape these velvet drapes,
don't want my rings to fall off
my fingers
"Fuggi Regal Fantasima"

The mirror I find hard to face
'Cause I fear its a long way down

Got to get away from here, I think I know
which hemisphere
Crazy me don't think there's pain in Barcelona
They dance you 'round a waltz confound
But I fear it's a long way down
Even if that straw I pull
and I got to fight that bull
Nothing really compares to Barcelona
Besides in Spain Don Juan's to blame
But I fear it's a long way down
And I fear I won't be around
Make sure I have all my papers
laying out my summer clothes
Search for traps in vain like scratching
so my suitcase I can close
"Fuggi Regal Fantasima"
Godspeed You Black Emperor !!!!!!!



Os rumores dizem que os Godspeed vão por termo à carreira, embora no site da Constellation seja referido que os membros da banda estão a fazer uma pausa para trabalhar nos seus projectos. A confirmar, seria uma noticia, no minimo, triste. Uma das maiores perdas para a música dos últimos tempos. Obviamente, espero que a noticia não se confirme e que não passe mesmo de boatos, mas na verdade, se os Godspeed acabarem, teremos sempre a sua presença nos projectos paralelos: Nos A Silver Mt. Zion, nos Fly Pan Am, nos Esmerine e outros. Hope!


Acabei de descobrir um dos meus albuns do ano. Os Mojave 3 estão de volta com Spoon and Rafter. E que grande disco. Belo de uma ponta à outra. "Bluebird of Happiness" logo a abrir, "Writing to St. Peter" e "Battle of the Broken Hearts" são os pontos altos do disco. Pop delicada, intimista. Canções sussurradas ao ouvido. Violinos, pianos, violoncelos e xilofones. O allmusicguide diz que "Spoon and Rafter has no trouble making Ryan Adams seem like more of a farce than he already is, and it's deserving of at least half of the attention given to anything released by Wilco". Ah, e a capa do cd deve ser uma das mais bonitas do ano.
>

Para quem, como eu, vibrou em 2002 com a chegada de "Is This It?" dos Norte-americanos The Strokes, o novo disco "Room on Fire" sabe a pouco. Se é verdade que o novo disco ganha em originalidade, também não é menos verdade que as novas canções não têm a força que as do disco anterior tinham. A primeira parte do disco é boa, principalmente nos temas "What Ever Happened?", "Reptilia" e "Automatic Stop" mas o disco começa a perder-se um bocado na parte final. E nenhum possível single parece ter a força que "Someday" ou "Last Nite" tinham. Nem mesmo o já single, "12:51".
Sons de hoje

JJ72 - I To Sky
Boards of Canada - Geogaddi
Maximilian Hecker - Infinite Love Songs
Mojave 3 - Spoon and Rafter
Interpol - Turn on The Bright Lights
Rufus Wainwright - Rufus Wainwright
Sun Kil Moon - Ghosts of the Great Highway
Led Zeppelin - Led Zeppelin II
Pink Floyd - Animals
Godspeed You ! Black Emperor - Yanqui U.X.O.
Garras dos sentidos

Não quero cantar amores,
Amores são passos perdidos,
São frios raios solares,
Verdes garras dos sentidos.

São cavalos corredores
Com asas de ferro e chumbo,
Caídos nas águas fundas,
não quero cantar amores.

Paraísos proibidos,
Contentamentos injustos,
Feliz adversidade,
Amores são passos perdidos.

São demências dos olhares,
Alegre festa de pranto,
São furor obediente,
São frios raios solares.

Dá má sorte defendidos
Os homens de bom juízo
Têm nas mãos prodigiosas
Verdes garras dos sentidos.

Não quero cantar amores
Nem falar dos seus motivos.

Agustina Bessa-Luís
E ao anoitecer

E ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Al Berto
Dia das mentiras



É já hoje que os Liars actuam no Sá da Bandeira naquilo que se espera que seja, pelo menos, o melhor concerto rock do ano. Consta-se que o concerto vai ser feito essencialmente à base das canções que fazem parte do próximo album da banda, a sair em 2004. "New York Noise" dizem alguns. Na verdade espera-se rock intenso, agressivo e, se for caso para isso, um "pézinho de dança".

domingo, novembro 23, 2003

Há-de flutuar uma cidade...

Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

Por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

E nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

Um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade


Al Berto


Quero que seques no meu corpo todas as tuas lágrimas. Quero ter o teu estado de espírito e ver com os teus olhos. Deixa que seja eu a chorar as tuas lágrimas.
Sons de hoje

Talk Talk - It's My Life
Rufus Wainwright - Poses
Red House Painters - Old Ramon
dEUS - In A Bar Under The Sea
Yo La Tengo - And Then Nothing Turned Itself Inside-Out
PJ Harvey - Dry
Nitin Sawhney - Human
Blur - Think Tank
Perry Blake - Still Life
Elliott Smith - XO

sábado, novembro 22, 2003

Sons de um dia de música Portuguesa

Sam the Kid - Beats Vol 1 - Amor
Bildmeister - Explay
Micro - Microlandeses
Primitive Reason - The Firescroll
Sérgio Godinho - Noites Passadas
Balla - Le Jeu
Blind Zero - A Way To Bleed Your Lover

sexta-feira, novembro 21, 2003



Além do já anunciado concerto em Leiria, Mirah, vai também actuar no dia 20 de Janeiro de 2004 na cidade Invicta. O local escolhido é o bar "O Meu Mercedes".

January 19th Leiria, Portugal - Auditório Velho do Orfeão de Leiria
January 20th Oporto, Portugal - O meu mercedes


Continuando nos rumores / expectativas existem mais duas bandas que podem passar por Portugal em 2004. Os A Silver Mt. Zion e os Einstürzende Neubauten (na foto) vão marcar as datas europeias para o inicio do próximo ano e é bem provável que passem por cá. O ano de 2004 parece reservar imensos bons concertos. Esperamos todos que sim.


Dizem os rumores que os escoceses Mogwai vão estar entre nós em Janeiro para dois concertos. Fala-se num concerto em Lisboa ou no Porto, ou talvez em ambos os locais. Fala-se ...


A islandesa Björk, faz hoje 38 anos.
David Byrne ao vivo entre nós



David Byrne regressa a Portugal em Abril de 2004 para realizar dois concertos. O ex-Talking Heads actua a 3 de Abril, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e a 4 de Abril, no Coliseu do Porto.


in Cotonete
Sons de hoje

The Beatles - 1
Janis Joplin - Anthology
Radio 4 - Gotham!
Grandaddy - The Sophtware Slump
The Angels of Light - How I Loved You
Arvo Pärt - Orient Occident

Gentle Waves - Swansong For You

Pretty Things

Do you like pretty things?
Would you caress broken wings?
To truly smile, to face the day
Do you like pretty things?

And in time did you know
Pretty things always go?
A smile can never go away
It ought to be the face today

Castless melt in the sand
But you could still touch my hand
And have a dream, then go away
If you like pretty things

Can you mend broken wings?
Do you know of these things?
First at a glance you'd think you might
If you like pretty things


Queria poder beijar os teus ombros nus, despidos e dizer-te tudo aquilo que nunca tive a coragem de dizer. Contar-te as histórias que desconheço e depois ficar a noite toda a ouvir-te falar.

quinta-feira, novembro 20, 2003

Kraftwerk actuam em Lisboa no mês de Abril



Os Kraftwerk apresentam-se ao vivo em Lisboa no dia 2 de Abril do próximo ano, actuando no Coliseu dos Recreios.

in DiscoDigital


Culpa Humana de Robert Benton conta-nos a história de Coleman Silk, um prestigiado professor de uma universidade, que acusado injustamente de racismo, se vê obrigado a desistir da sua profissão. Com a noticia, a sua esposa sente-se mal e acaba mesmo por falecer nos seus braços. A partir daí, Coleman inicia uma intensa amizade com um escritor que vive isolado numa cabana e conhece Faunia Farley ( Nicole Kidman ) com quem tem uma intensa paixão. No entanto, Coleman vive com uma mentira há 50 anos e a juntar a isso, Faunia vive com imensos problemas: a morte dos seus dois filhos, a sua infância traumática e os problemas com o seu ex-marido. Culpa humana é um filme sobre redenção, orgulho e culpa.
"Na idade da televisão"



Por sugestão do profesor Luís Humberto Marcos, e inserido no Encontros do Porto ’03, assisti hoje de manhã a uma palestra entitulada “Na idade da Televisão” e teve como subtitulo “O impacto social, cultural e politico do fenómeno televisivo”. O encontro decorreu no salão Árabe do Palácio da Bolsa e teve como participantes, na primeira parte, Mário Bettencourt Resendes, Mário Mesquita, António Lobo Xavier e António Costa.
Mário Bettencourt Resendes, como moderador do acontecimento, abriu a palestra e começou por abordar a influência dos canais privados nomeadamente na queda do cavaquismo, o poder do jornalismo na formulação da agenda politica e a massificação da vida democrática. Referiu também a constante a progressiva importância dos blogues na difusão e transmissão de informação.
Mário Mesquita designou a televisão como um moinho de histórias, como factor de equilibrio da sociedade, elo social importante. Fez uma alusão à constante fragmentação dos canais e à frequente mistura do divertimento com a informação. Fez referência à queda da chamada “noticia seca”, a noticia pouco adjectivada – paradigma da objectividade. Acabou por subdividir os tipos de acontecimentos em 3 géneros: Genuínos, mediáticos e encenados.
O terceiro participante, António Lobo Xavier, optou por falar da relação das sociedades modernas com a politica e com o jornalismo. E porque o que não aparece na televisão, o que não é noticiado simplesmente não existe - aparecer é existir - a televisão formata cada vez mais os politicos; a forma como progridem na carreira, a maneira como falam, a maneira como se comportam.
António Costa começou por formular uma questão: Os politicos manipulam a comunicação ou são manipuladas pela mesma? Na tentativa de dar respostas à sua própria questão referiu que a televisão tornou-se um mediador entre os partidos politicos e a opinião pública e que os partidos politicos devem ter uma ampla e diversificada discussão no intuido de obter politicas e respotas. Referiu em tom jocoso a atitude de Manuela Moura Guedes perante o jornalismo, especialmente quando disse que “a noticia tem obrigatoriamente de ter um embrulho, tem de ser apelativa”. Por fim deixou um recado à direita ao referir que “seria impensável há uns anos a hesitação que a direita tem demonstrado em escolher o próximo candidato às próximas eleições.
Para finalizar a palestra, já na segunda parte da mesma, Agustina Bessa Luís concretizou aquilo que foi um ensaio literário consciente e sábio sobre o que é a televisão nos dias de hoje. Para além de outros meios, utilizou uma ilustrativa espécie de metáfora que falava de um “crocodilo e de um rato”. Referiu a televisão como sendo “uma boa condutora de vulgaridade”, “uma espécie de loucura na tentativa de substituir a vida real”. Para ilustrar esta tentativa de substituição, Agustina falou de “substituir as laranjeiras e os castanheiros por um ecrân de televisão” e sublinhou que o homem são não arrisca uma hora de televisão. Para Agustina, a televisão faz convergir a depressão – no velho e na criança - e tem o dom de chamar a solidão e de provocar no individuo a sensação de estar desalinhado do mundo. Muita sapiência nas palavras e uma visão coerente e superior da televisão. Foi um gosto ouvir Agustina Bessa Luís falar.


"So why did I do it? I could offer you a million answers, all false. The truth is that I'm a bad person, but that's going to change. I'm going to change. This is the last of that sort of thing. I'm cleaning up and I'm moving on, going straight and choosing life. I'm looking forward to it already. I'm going to be just like you. The job, the family, the fucking big television, the washing machine, the car, the compact disc and electrical tin opener, good health, low cholesterol, dental insurance, mortgage, starter home, leisurewear, luggage, three-piece suite, DIY, game shows, junk food, children, walks in the park, nine to five, good at golf, washing the car, choice of sweaters, family Christmas, indexed pension, tax exemption, clearing the gutters, getting by, looking ahead, to the day you die. "
Mirah toca em Leiria em Janeiro



Mirah, a intérprete e compositora norte-americana, autora de um dos mais notáveis álbuns de 2002, "Advisory Committe", vai estrear-se ao vivo em Portugal no próximo mês de Janeiro.

in Cotonete

Sons de Hoje

Led Zeppelin - Houses of the Holy
Led Zeppelin - Led Zeppelin
The Stooges - The Stooges
Television - Marquee Moon
Zen Guerrilla - Shadows On The Sun
The (International) Noise Conspiracy - Bigger Cages, Longer Chains EP
Fog - Ether Teeth
Liars - They Threw Us All In a Trench And Stuck a Monument On Top
The Chinese Stars - Turbo Mattress
Rosie Thomas - Only With Laughter Can You Win
Gentle Waves - Swansong For You
Explosions In The Sky - The Earth Is Not A Cold Dead Place
Miles Davis - Kind of Blue
Nunca ninguém parou de envelhecer. Nem mesmo tu. E a imortalidade existe apenas enquanto vives. E a morte, finalmente, não será o fim de tudo, porque nunca tivemos nada.
As mãos pressentem...

As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar

ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada

Al Berto


A sombra dos teus cabelos aparece em cada esquina que dobro. E a sombra arrefece, humedece. Longe vão os dias em que o sol descia para nos aquecer.
É, para mim, cada vez mais claro que nos une este gosto pelo que é trágico, irrecuperável.

quarta-feira, novembro 19, 2003

Ouvi falar hoje na hipótese de sair um Best of dos Radiohead. Embora não me acredite muito nisso ( pelo menos não nos próximos tempos) aqui fica um ensaio sobre aquilo que seria o alinhamento do cd se de mim dependesse a escolha.

1. Creep
2. High and Dry
3. Fake Plastic Trees
4. Just
5. My Iron Lung
6. Bullet Proof...I Wish I Was
7. Street Spirit (Fade Out)
8. Paranoid Android
9. Let Down
10. Karma Police
11. The National Anthem
12. How to Disappear Completely
13. Optimistic
14. Idioteque
15. Pyramid Song
16. Knives Out
17. Where I End and You Begin
18. Scatterbrain

Bem. Acho que só com um cd duplo conseguiria reunir de forma coerente os meus temas favoritos.


Josh Rouse

Directions

Don't like the direction you are going to
Seems to lack the attention, that it used to
Stay out all night and get high with your friends
Wonder why you don't get one thing done
Don't like the direction you are going to

Don't like the direction you have come to
Now it has the attention that it used to
Stay home all night with the TV and wife
Comfortable life's not all it's cracked up to be
Don't like the direction you have come to

It's easy to get caught and the weight of the world
It's falling on your face, so unsure that you would

Sobre a neve

Sobre mim, teu desdém pesado jaz
Como um manto de neve... Quem dissera
Porque tombou em plena Primavera
Toda essa neve que o Inverno traz!

Coroavas-me inda há pouco de lilás
E de rosas silvestres... quando eu era
Aquela que o Destino prometera
Aos teus rútilos sonhos de rapaz!

Dos beijos que me deste não te importas,
Asas paradas de andorinhas mortas...
Folhas de Outono e correria louca...

Mas inda um dia, em mim, ébrio de cor,
Há-de nascer um roseiral em flor
Ao sol de Primavera doutra boca!

Florbela Espanca


Coisas bonitas foram ditas no silêncio da noite mesmo sem que uma única palavra tivesse saído das nossas bocas cansadas.