segunda-feira, junho 30, 2003



Se houvesse degraus na terra...

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.

Há aquelas músicas que são boas só por si mesmas. E depois há aquelas músicas que são boas por aquilo que nos fazem lembrar. A "Clocks" dos Colplay é uma delas. Não é que a música não seja boa, mas é ainda melhor porque a relaciono com aquilo que relaciono. Liguei na MTV. Estava a dar Amon Tobin ( ! ). Começou a Clocks. Pensei em muita coisa, depois de sorrir.



Lights go out and I can't be saved
Tides that I tried to swim against
Put me down upon my knees
Oh I beg, I beg and plead singin'

Come out of things unsaid
Shoot, an apple off my head.
And the
Trouble that cant be named
The tiger's waiting to be tamed singin'

You are
You are


Confusion never stops
Closing walls and ticking clocks
Gonna come back and take you home
I could not stop but you now know, singin'

Come out upon my seas,
Curse missed opportunities
Am I a part of the cure
Or am I part of the disease, singin'

You are, you are
You are, you are
You are, you are

Nothing else compares.
Oh, no nothing else compares
Oh, no nothing else compares

You are
You are


Home, home where I wanted to go
Home, home where I wanted to go
Home, home where I wanted to go
Home, home where I wanted to go


"Eh pá, este disco é uma festa"

Chegou o Verão. É tempo de arrumar os discos de Inverno e tirar das "prateleiras", os discos "quentes".

TOP 10 dos discos para este Verão.

Yeah Yeah Yeahs - Fever To Tell
Manitoba - Up in Flames
Sam the Kid - Beats Vol 1 - Amor
Talvin Singh - Ok
Sole - Selling Live Water
Nitin Sawhney - Beyond Skin
Goldfrapp - Black Cherry
Jurassic 5 - Power in Numbers
RJD2 - Deadringer
Four Tet - Rounds
Domingo pachorrento, este que agora acaba. Da ementa musical de hoje, fizeram parte 3 discos portugueses.

Micro - Microlandeses

O apelidado Hip-Hop Tuga está em crescimento, em Portugal. Os Micro são, provavelmente, um dos principais impulsionadores. É um bom disco de hip-hop. São ao todo 22 faixas, cheias de refrões incendiários e rimas viciantes. Criticas à nação, recados a tudo e todos e acima de tudo, o que se lhes era pedido, beats viciantes.

Maria João e Mário Laginha - Undercovers

Não conheço muito bem o trabalho da dupla, mas este trabalho tem algumas boas covers. Destaque para os temas "Tom Traubert's Blues (Tom Waits), Black Bird (The Beatles) e Unravel (Björk). A nova roupagem dos temas é feita pela voz de Maria João, pelo piano de Mário Laginha e ocasionalmente através de uma orquestração em alguns dos temas. Entre as restantes covers, o destaque para os temas de Caetano Veloso, Beach Boys e Tom Jobim.

David Fonseca - Sing Me Something New

Sing Me Something New é o primeiro disco a solo de David Fonseca. Se é verdade que os temas respiram mais do que nos discos dos Silence 4, também é verdade que as influências dos anos 80, em algumas canções, são mais do que evidentes. Do disco, David Fonseca fez questão de tocar quase todos os instrumentos; só Mário Barreiros, produtor do álbum, participou em alguns temas. Ao vivo, faz-se acompanhar por músicos dos Ornatos Violeta, Atomic Bees e membros da banda que acompanha Sérgio Godinho. É um disco com temas de cariz intimista, à excepção de The 80's e Revolution Edit. Destaque, para a minha faixa favorita do disco: "Summer Will Bring You Over". Quem gosta deste disco, mais vale correr até à loja mais próxima e comprar um disco chamado "Quiet is the New Loud". Os autores ? São noruegueses e chamam-se Kings of Convenience.

domingo, junho 29, 2003

Hard Rock Cafe Edinburgh



Quer se queira, quer não, o Hard Rock Cafe é um dos simbolos mais representativos do chamado Rock 'n' Roll way of life.

Visitei o de Edimburgo, só para cheirar um pouco do tão falado ambiente de um Hard Rock Cafe. Além de encontrar um português ao balcão, encontrei também paredes com diversos simbolos de estrelas "rock". Desde objectos dos U2, passando pelos casacos usados pela Madonna e pela Stevie Nicks dos Fleetwood Mac, um cartoon desenhado pelo John Lennon passando por discos de ouro da Janis Joplin e adereços vários do Jimi Hendrix, "nada" foi esquecido. Não resisti, e tirei uma foto junto dos discos de ouro e posters da Janis Joplin.



5 melhores filmes do Semestre:

As Horas de Stephen Daldry
Inadaptado de Spike Jonze
A Última Hora de Spike Lee
Embriagado de Amor de Paul Thomas Anderson
28 Dias Depois de Danny Boyle


Janis Joplin. A maior cantora branca dos anos 60. Uma mulher que mudou radicalmente a maneira de ver as mulheres no mundo do rock. Nasceu a 19 de Janeiro de 1943, e morreu a 4 de Outubro de 1970, num Hotel de Hollywood, vitima de uma overdose de heroina. Janis, no clássico "Me & Bobby McGee" do album "Pearl" de 1971 diz: "Freedom is just another word for nothing left to lose" E não é que ela tinha mesmo razão ?

Diz, também, em "Trust Me" do mesmo album:

"Love is supposed to be that special kind of thing,
Make anybody want to sacrifice.
Oh, my love is like a seed, baby, just needs time to grow,
It’s growing stronger day by day,
That’s the price we both gotta pay. "

Hoje é o meu dia Janis Joplin. Tempo de reviver outros tempos. E lá fora chove ...



Into My Arms

I don't believe in an interventionist God
But I know darling that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch your hair on your head
But to leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms

Into my arms oh Lord
Into my arms oh Lord
Into my arms oh Lord
Into my arms

I don't believe in the existance of angels
But looking at you I wonder if that's true
And if I did I would summon them together
And ask them to watch over you
To each light a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk like Christ in grace and love
And guide you into my arms

Into my arms oh Lord
Into my arms oh Lord
Into my arms oh Lord
Into my arms

But I believe in love
And I know that you do too
And I believe in some kind of path
That we can walk down me and you
So keep your candle burning
Make a journey bright and pure
That you'll keep returning always and evermore

Into my arms oh Lord
Into my arms oh Lord
Into my arms oh Lord
Into my arms

4:16 de emoção. Uma das músicas da minha vida. Nunca se falou de amor e religião de uma forma tão inteligente.

sábado, junho 28, 2003

Os 10 melhores concertos do Semestre

Sigur Rós @ Coliseu do Porto
Explosions in the Sky @ Mercedes
(Smog) @ Mercedes
Goldfrapp @ Coliseu do Porto
Twinemen @ Hard Club
Godspeed You ! Black Emperor @ Teatro Sá da Bandeira
Hanged Up @ Teatro Sá da Bandeira
The Album Leaf @ Coliseu do Porto
Old Jerusalem @ FNAC St. Catarina
Bridget Storm @ Mercedes
Os 20 melhores albuns do Semestre

Ulrich Schnauss - A Strangely Isolated Place
Yeah Yeah Yeahs - Fever To Tell
Radiohead - Hail to the Thief
Mogwai - Happy Songs For Happy People
Blur - Think Tank
Songs: Ohia - Magnolia Electric Co.
(Smog) - Supper
Jan Jelinek - La nouvelle Pauvreté
The Cinematic Orchestra - Man With A Movie Camera
Lisa Germano - Lullaby For Liquid Pig
Calexico - Feast of Wire
Goldfrapp - Black Cherry
Yo La Tengo - Summer Sun
Manitoba - Up in Flames
Cul de Sac - Death of the Sun
Deerhoof - Apple O'
Meanwhile, Back in Communist Russia - My Elixir, My Poison
Xiu Xiu - A Promise
John Fahey - Red Cross
Sole - Selling Live Water
Explosions in the Sky @ Mercedes - 27 de Junho de 2003

O concerto começou com 20 minutos de atraso, mas começou bem, logo com a faixa inicial de "Those Who Tell the Truth Shall Die, Those Who Tell the Truth Shall Live Forever" , de seu nome "Greet Death". Duas guitarras, um baixo e uma bateria em perfeita harmonia reproduziram exactamente o que estava no disco, com extrema perfeição. São incrí­veis as melodias criadas por aquelas duas guitarras que se cruzam e a sensibilidade ou o sentimento inerente às mesmas. Eles mesmo o dizem que fazem "música do coração, para o coração". A segunda faixa ( que não conhecia, e que presumo que seja do próximo album ) retoma a fórmula mais conhecida dos explosions: construção de melodia com 2 ou 3 guitarras, crescendo e explosão. Já é algo que ninguém desconhece, mas a diferença é que eles o fazem bem; e eu gosto. Foi umas das melhores surpresas da noite ... uma faixa soberba. O guitarrista "principal" berrou qualquer coisa no meio da faixa, que não consegui perceber muito bem. O concerto continuou, não com muito mais faixas do útimo album ( só foram duas no total ), mas sim com temas do primeiro disco e do próximo e sempre com muita intensidade. A meio, tempo para a faixa mais desejada do último album: "Have You Passed Through This Night?" que contem uma das explosões mais brutais e bem conseguidas dos EITS. O concerto acabou com uma das faixas do primeiro registo da banda, "How Strange Innocence", e também com a explosão mais forte de todo o concerto e a fazer justiça ao nome da banda. O guitarrista e o baixista, algo descontrolados, "socavam" os instrumentos de uma forma violenta. Cheguei e pensar que poderia levar com uma guitarra na cabeça a qualquer momento, tal era a proximidade a que estava do palco. Foi um grande concerto. Cheio de emoções. A música dos EITS não é cantada, não tem voz. E ainda bem. Dizem tudo sem ser necessário dizer algo que seja. No fim, a banda distribuiu autógrafos e eu aproveitei também para ter o meu bilhete autografado pelo guitarrista da banda. Uma grande noite. Um grande concerto e a promessa ( deles ) de voltarem em Janeiro.




Edimburgo é uma cidade fantástica. Faz mais de dois meses que lá estive e as saudades são imensas. Havia sempre imenso que fazer e as pessoas eram muito interessantes. Um estilo de vida completamente diferente do nosso ... Enfim, um mundo completamente diferente. Mesmo na música ... Visitava diariamente duas lojas fabulosas:

A FOPP



e a Avalanche



Muitas horas passei nestas duas lojas, doido com a quantidade de ofertas musicais e com a diferença que faz para Portugal. Lá, comprei 9 clássicos:

Belle & Sebastian - The Boy With the Arab Strap
Television - Marquee Moon
Van Der Graaf Generator - Pawn Hearts
Gang of Four - Entertainment!
The Beach Boys - Pet Sounds
Neil Young - Harvest Moon
The Clash - London Calling
Bob Dylan - The Freewheelin'
David Bowie - The Rise & Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars

sexta-feira, junho 27, 2003


Explosions in the Sky


Esta noite, o Meu Mercedes vai ser maior do que o de todos os outros.